CARTA ABERTA À SOCIEDADE

Publicada em 19/10/2018 17:25:02 - Visualizada 56 vezes

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O INSTITUTO OURO VERDE é uma organização não governamental formada por técnicos, agricultores e agricultoras familiares da região norte de Mato Grosso. Atua junto a mais de 1.500 famílias em 08 municípios do território Portal da Amazônia. Desenvolve ações para a transição dos sistemas produtivos convencionais com técnicas agroflorestais e agroecológicas, atua como um banco comunitário para gestão de microcrédito e apóia diferentes estratégias de comercialização de produtos dos assentamentos e comunidades rurais. Assim, através de um sistema de gestão participativa, o IOV vem trabalhando para fortalecer a agricultura familiar e camponesa como proposta de desenvolvimento rural comunitário.
 
Entendemos que organizações como o IOV são fundamentais para a sociedade brasileira. São organizações como estas, ativistas e comprometidas com a transformação social, que tornam possível demonstrar as contradições de nossa sociedade, ao mesmo tempo em que concretizam caminhos alternativos e que servem de exemplo para a construção de políticas públicas. Não substituímos o Estado em suas ações, mas mostramos caminhos para a construção de soluções adaptadas às realidades locais e geridas pelas pessoas diretamente envolvidas. Assim, propostas de acabar com o ativismo significam calar a sociedade. É impedir que movimentos que nascem de forma espontânea a partir das fissuras de nossa sociedade tão desigual indiquem as contradições existentes e, consequentemente, impedir o avanço na qualidade de vida de grande parte das famílias brasileiras. A transformação social não virá de cima para baixo, mas a partir das diferentes formas de organização das pessoas.
 
Desta forma, vimos por meio desta carta apontar nossa preocupação, repúdio e resistência frente às ameaças feitas atualmente e que compõem o programa de governo do PSL. Destacamos pontos como:
 

a) Postura desfavorável ao pacto global da ONU e o não reconhecimento dos problemas ocasionados ao ambiente por um sistema de produção agrícola que degrada, concentra terras e renda e não está preocupado com a produção de alimentos para a população brasileira;

b) Não reconhecimento da agricultura familiar como um sistema próprio tampouco que exige um olhar diferenciado e a agroecologia como um possível caminho a ser fortalecido no campo;

c) Instigar a violência no campo ao invés de propor resolver os problemas do campo com ações concretas para diminuir a brutal concentração de terras e a desigualdade na distribuição de recursos. De fato, a postura tem sido criminalizar movimentos sociais e personificar os problemas nas organizações não governamentais;

d) Junção do Ministério da Agricultura com o Meio Ambiente, enfraquecendo desta forma a agenda ambiental, a já enfraquecida proposta de reforma agrária e a proteção de terras indígenas e quilombolas.

 
Reconhecemos que pouco foi feito para inverter a lógica dos modelos de produção e concentração de renda no país nos últimos 30 anos. No entanto, também reconhecemos que um conjunto de políticas, tais como ampliação dos recursos do PRONAF, o estímulo a inserção de alimentos da agricultura familiar para estudantes das escolas públicas, o Programa de Aquisição de Alimentos (CONAB), a criação de novos espaços de participação popular para a gestão dos recursos públicos entre outros, representaram importantes avanços. Assim, não é cabível retrocessos! 
 
Pela agricultura familiar camponesa, pela agroecologia, pela reforma agrária, pela soberania alimentar, pelo meio ambiente, pelo ativismo, pela democracia: ELE NÃO!
 


Por Instituto Ouro Verde