Agricultores e técnicos participam de missão de Agroturismo em Santa Catarina

Publicada em 30/08/2019 16:59:05 - Visualizada 309 vezes

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Durante seis dias, um grupo formado por quatro técnicos e sete agricultores envolvidos no projeto Sementes do Portal fase II participou de uma missão de agroturismo em Santa Catarina. O objetivo foi conhecer o trabalho da Acolhida na Colônia, uma experiência de agroturismo (ou turismo rural comunitário), que já acontece há 20 anos em mais de 20 cidades de Santa Catarina e, mais recentemente, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Nos dias 17 e 18 de agosto o grupo participou do 2º Congresso Estadual de Agroturismo em Santa Rosa de Lima (SC). O evento foi promovido pela Acolhida na Colônia e contou com a participação de Eliane Geneve, criadora da Accueil Paysan (Acolhida na Colônia) na França, há quase 40 anos, e hoje presente em mais de 30 países.

Participaram do congresso cerca de 200 pessoas de todos os municípios da Acolhida na Colônia e também de outros estados. O evento proporcionou também a participação em diversas oficinas com temas relacionados ao agroturismo. Ana Carolina França Bogo, agente de formação popular do Instituto Ouro Verde, participou da missão e afirma que “esse congresso foi bem importante para conhecermos a história de como começou o trabalho [da Acolhida] e a organização dessas famílias”.

Encerrando o congresso, o grupo fez um roteiro pelos municípios de Santa Rosa de Lima, Grão Pará, Urubici, Alfredo Wagner e Florianópolis, na Comunidade Sertão do Ribeirão. “Nós fizemos todo o roteiro em propriedades que fazem parte da Acolhida. Conhecemos grupos que estão já há 20 anos na Acolhida, bem estruturados e bem organizados, e também conhecemos grupos que entraram recentemente, que ainda estão passando por fases de adaptação de atendimento às normas e uma organização inicial da própria família”, afirma Ana Carolina. Ela conta que foi importante ter esses diversos olhares, de grupos já bem estruturados e de grupos novos, para pudessem entender que “existe uma caminhada, mas é possível chegar à um nível de qualidade de atendimento e de estrutura bem legal”. Em cada visita o grupo se reunia com a família responsável para uma troca de experiências e, segundo Ana Carolina, estavam sempre pensando em sua realidade local, “no que podemos fazer para avançar nessa estratégia aqui no nosso território”.

“Pudemos conhecer a história dessas famílias, como eles se envolveram na Acolhida, a forma de organização, as dificuldades que eles tiveram ou que ainda têm”, conta. Isso, para Wesley Ramos, agricultor de Alta Floresta, foi muito inspirador. Ele afirma: “Eu fiquei de fato muito entusiasmado, com muita vontade de fazer coisas por ver que a realidade deles lá, apesar de ser outra cultura, ainda é muito semelhante da nossa”. Segundo o agricultor, “a condição deles, enquanto agricultores, de ter essa outra atividade autônoma de administrar o empreendimento de turismo junto com a atividade agrícola me deixou muito empolgado”.

Lucilene Assing, assessora da Acolhida na Colônia, afirma que perceber que ambos os grupos se identificaram por possuírem as mesmas dificuldades e sonhos, foi muito bacana para a associação e provocou reflexão. Ela conta também que a interação do grupo com os agricultores da Acolhida e as questões levantadas a todo momento “iam fazendo com que [agricultores da Acolhida] parassem um pouco pra pensar e refletir sobre as ações deles.  Sobre o que eles estão fazendo com a Acolhida, com a comunidade, e isso também fortalece os princípios da associação”.

A demanda deste intercambio, segundo Lucilene, os inspirou a criar um novo formato de roteiro a ser comercializado: “O interesse do grupo do Instituto Ouro Verde nos fez pensar em um roteiro diferente. Esse roteiro, da forma como ele foi organizado, foi feito pela primeira vez. Isso também foi bem bacana pra gente”.

“Agora nós saímos com outra missão: fortalecer essa atividade, que já tem sido demandada há muito tempo por algumas famílias, localmente. E agora é o momento de nos organizarmos”, completa Ana Carolina. O próximo passo é, inicialmente, fazer uma conversa com pessoas que já desenvolvem alguma atividade relacionada ou que têm o perfil pra trabalhar com atividades de agroturismo e, a partir disso, começar construir as estratégias locais. “Quem sabe possamos fazer parte da Acolhida na Colônia no futuro, né? Ser o primeiro grupo fora da região Sul e Sudeste. Existe essa possibilidade, mas pra isso temos que avançar muito. Então pretendemos fazer essas reuniões e diagnósticos, pra podermos fortalecer aquilo que já existe e também identificar potenciais”.

Assim, a experiência adquirida na viagem ajuda a implantar um novo olhar para as propriedades de agricultura familiar nos municípios atendidos pelo Sementes do Portal. Tal ação auxilia a entender novas formas de atuação e de desenvolvimento locais.  O turismo rural comunitário, ou agroturismo, é uma alternativa interessante, visto que pode ajudar a manter mais pessoas nas comunidades rurais, pois é uma forma de garantir o sustento econômico e, aliado a ele, a preservação dos bens naturais.

 


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Por Instituto Ouro Verde